Há um mês, tomei uma decisão importante: excluí as redes sociais do meu telefone.
Não desativei minhas contas. Ali guardo memórias desde 2002, quando criei meu primeiro perfil no Fotolog — o avô do Instagram. Entre textos, fotos e registros da vida, aquele espaço ainda tem valor.
Mas percebi que estava vivendo mais a realidade virtual do que a minha própria vida.
Com 16 horas de trabalho por dia, faculdade, família e casa para cuidar, notei que desperdiçava um tempo precioso em rolagens infinitas. A vida real estava batendo à porta, pedindo socorro.
Em cada “olhadinha”, meia hora se perdia.
Foi então que percebi: eu não estava apenas cansada. Estava presa a um ciclo.
Troquei esses trinta minutos diários por atividades que eu jurava não ter tempo de fazer. O que mais me surpreendeu nesse processo foi a sanidade mental que recuperei.
As redes sociais criam monstros competitivos: quem trabalha mais, quem come melhor, quem vai mais à academia, quem tem mais fé, quem entende mais de política, quem é mais bonito, mais engraçado, quem ama mais, informa mais, fofoca mais e, sobretudo, quem parece mais feliz.
Você perde tempo acompanhando desconhecidos “perfeitos” e acaba se sentindo um lixo por não conquistar o que eles conquistaram.
Não é inveja. É comparação.
E ainda tenta tornar suas próprias postagens interessantes: falar de sentimentos, poesia, reflexões sérias. Mas quem se importa? Logo depois, vê milhares de curtidas em uma publicação vazia, sem sentido, sem alma.
Com isso, descobri que a bateria do iPhone realmente dura. Descobri que posso ir à academia porque tenho tempo — e, sobretudo, que posso ir à academia sem contar a ninguém.
O mais importante é a satisfação de terminar o dia sabendo que você fez o melhor que podia, com as condições que tinha, e dormiu em paz.
Vim aqui contar que há uma vista linda da sua janela, um sol que nasce às seis da manhã e conversas pessoais muito mais interessantes e satisfatórias do que qualquer timeline.
Voltarei vez ou outra, só para matar a saudade.
Até logo.