De repente, o mundo enlouqueceu. Não somos mais livres. Tornamo-nos reféns de um vírus, de uma epidemia, de uma pandemia, de um monstro invisível.
Há quem diga que o coronavírus (covid-19) é apenas uma gripezinha. Há os que o comparam à Terceira Guerra Mundial. Entre extremos, cada um sabe o caos que a doença está causando em nossas vidas: da mudança forçada de hábitos ao cerceamento da liberdade; do colapso financeiro das grandes potências mundiais à economia da nossa própria casa.
Quem são esses 2% ou 10% que morrerão para provar que a doença tem baixa letalidade? Quantas famílias verão seus mortos virarem índices para aqueles que ignoram a dor da perda de quem amamos?
Quantos profissionais perderão os empregos? Quantos empresários perderão os sonhos depois de baixarem, definitivamente, as portas de seus empreendimentos?
Na televisão, o discurso político dá náuseas. O vírus ganhou status de ferramenta de campanha e a nossa saúde, de palanque. Na disputa entre vaidade e ignorância, perdemos todos. É necessário aprimorar o discernimento para separar o que é jogo do que é realidade e evitar o nosso enlouquecimento.
Na mesma televisão, há exemplos de solidariedade que deveriam ser praticados desde sempre. Ainda dá tempo de aprender que não estamos sozinhos no mundo e que precisamos de todos em seus devidos lugares.
Nas redes sociais, tanto luxo e tanta ostentação deveriam nos fazer refletir sobre o nosso conceito de deuses e deusas.
Sugiro que, diante da guerra política, científica e financeira, olhemos — nem que seja por alguns minutos — para o que somos, para o nosso lugar no mundo e para as lições que este momento nos força a aprender.
Sugiro refletir sobre a importância que damos às coisas mais simples: sentar-se em uma praça — coisa que amo fazer —, cumprimentar o conhecido na padaria com aquele sacolejo das mãos ou abrir a geladeira do supermercado sem preocupação.
O ir e vir diário, quase martirizante, já nos faz falta. Também concluímos que é muito difícil entreter idosos e crianças durante as doze horas do dia.
O processo será doloroso para todos e, individualmente, parece ainda pior.
Com hábitos e costumes alterados, países financeiramente arruinados e luto em milhares de casas, depois de tudo isso ainda seremos nós.
Teremos a percepção de que não somos donos de nossos destinos, mas a obrigação de sair deste período melhores do que entramos.
