Ela era um bicho sem maldade
e tão cruel consigo.

Sorrir parecia feri-la
quando a felicidade não era alheia.

Transformava monstros em anjos
e convivia bem com cada um deles.
Doou aos miseráveis até o que não tinha.
Curou sozinha as próprias dores.

Encurralou os desejos
em um canto qualquer da vida.
Mendigou amores
e farejou traições.

Sofreu com cada decepção
e debochou de todas elas.
Transformou em comédia
os maiores dramas.

Viveu tentando ser outra,
ouvindo que mudar era necessário.
Mas acreditava na essência
que ninguém via.

E, por isso,
mesmo exausta,
seguia.

Não se arrependeu
do que cativou sendo errada
e não renunciou
ao que conquistou sem ter nada.