As pessoas estão muito frias
ou será que fiquei velha e dramática?

Até onde sei,
as minhas dores sangram o peito e o abdômen.
A sociedade está desprovida de alma
ou será que sou a única
a vagar entre a luz e a escuridão?

Há um nó na minha garganta
que não se desfaz.
A ansiedade é um contorcionista
no meu travesseiro.
Sinto na pele o fogo martirizando a lenha,
e o barulho das borboletas
deslizando entre as flores
é ensurdecedor.

Sou intensa e profunda,
não por inocência ou masoquismo,
mas por não tolerar encenações.

Se sinto,
arrepio até o último pelo do corpo.
Se não sinto,
sou como gelo derretendo ao sol da manhã.

E aqui estou para lhe desejar o mesmo,
hoje e para sempre,
porque só os mortos não se dão conta
do pulsar da aorta,
do tremor das pernas,
nem da lágrima percorrendo o rosto.

Enquanto o mundo está enterrado na terra fria,
eu me lanço ao desconhecido,
sem escudos ou punhais,
só para ouvir o vento cortar o espaço
e ver o tempo se curvar à minha coragem.

Afinal, não importam as feridas na aterrissagem:
nada me rouba a emoção da viagem.