Sempre viveu aquela bagunça,
aquela desordem,
aquele caos.

Amava em desespero.
Sofria em demasia.
Era turbulência e confusão.

Sentia medo e chorava,
mas sentia medo e seguia.
A dor aparecia
nos gestos de agonia.

Sempre foi aquele alvoroço,
fora de órbita,
de compasso
ou poesia.

E, no caos,
se reinventava,
se reescrevia
sozinha.

O dia era assustador,
e a noite, fantasia.
Rascunhava planos, projetos
e depois esquecia.

Sempre foi aquela incógnita,
aquela mágoa que temia.
Sempre foi mentira
em meio às verdades
que desconhecia.

Era o caos em si.
E, por si,
o caos mantinha.