Aqui estou. Nua. Despida de egos e vaidades, contemplando os destroços do fim de mais um dos meus mundos.

Como é doloroso romper o casulo. Confortável, mesmo sem liberdade. Acolhedor, mesmo sem permitir que eu enxergasse o mundo além dele.

Como é importante derrubar os muros que nos limitam. Não importa quantas vezes iremos reconstruí-los e destruí-los. Não importa se, em certos momentos, eles nos protegem e nos oferecem segurança.

Cedo ou tarde, a vida nos exigirá movimento: passos largos, transformações que nos atravessam e nos despedaçam antes de nos reconstruírem.

É o fim do mundo. É o meu fim.

Não.

Prefiro chamar de renascimento. De oportunidade.

Passei a vida construindo pontes e tendo a coragem de destruí-las quando percebia que já não me levavam a lugar algum.

Caio. Machuco-me. Mas me levanto.

Às vezes, parece um suicídio simbólico: matar quem já não sou para permitir o nascimento de alguém novo, com outros propósitos, novos olhares e emoções diferentes.

Mas nada de drama. É apenas a vida cumprindo seu ofício.

E cabe a mim escrever os próximos capítulos da minha trajetória.