Nos últimos cinco anos, tenho tentado manter a serenidade diante da loucura que o mundo se tornou. Já não acredito que possamos transformá-lo por completo. As pessoas parecem cada vez mais perdidas, com valores distorcidos e uma tendência perigosa de transformar egos inflados em exemplos de heroísmo.
Isso vale para a política, para as causas sociais e, infelizmente, para o futebol.
Falo com o coração apertado sobre o Nacional Futebol Clube, o time da minha cidade, o time da minha infância.
Vi meu pai jogar ali; depois, meus tios e meus primos. Antes mesmo de entender o que era impedimento, eu já vibrava nos alambrados dos campos amadores, de roupa de domingo, vendo homens correrem atrás de uma bola em gramados de terra batida, com traves sem rede, mas com uma paixão que transbordava.
Em 1997, quando eu morava a poucos metros do Estádio JK, vivi um dos dias mais bonitos da história do clube: o acesso à elite do Campeonato Mineiro. A avenida Marcus Cherém tomada por torcedores, o trânsito parado, os instrumentos tocando e o grito: “O Nacional voltou!”.
Foi ali que meu coração passou a bater em preto e branco.
Anos depois, participei da montagem do time que conquistou o acesso em 2013 e foi campeão do Módulo II — um orgulho sem tamanho.
Hoje, no entanto, o que vejo é desolador. O Nacional tornou-se um retrato de problemas recorrentes do futebol brasileiro: vaidade, amadorismo e interesses pessoais ocupando o lugar do planejamento.
O talento se perdeu. E o que aconteceu naquela temporada beirou o absurdo. A presidência acumulava funções técnicas, sustentada por um discurso antigo de amor ao clube que, na prática, já não produzia resultados.
O desfecho foi a lanterna do grupo B e o pior aproveitamento da competição.
Nenhum clube sobrevive sem planejamento e gestão. E o Nacional, com mais de oito décadas de história, parece ter se esquecido disso. Vive de lembranças e discursos nostálgicos enquanto sua estrutura se deteriora e sua torcida se envergonha.
O Nacional não precisa de salvadores da pátria. Precisa de seriedade. De gente que ame o clube o bastante para abrir mão do próprio ego.
Porque viver do passado não reescreve a história. Apenas a repete, até o fim.
