Conhecido por suas qualidades técnicas em campo e como o "Rei do Chapéu", Dr. Normandes é um jogador de todos os tempos.
Campeão Brasileiro em 1971 com o Atlético Mineiro, o único título nacional do Galo de Belo Horizonte, o ex-jogador se mostra preocupado com o destino de alguns companheiros. "O atleta não aposenta. Até porque ninguém joga 30 anos. Como fui presidente da Associação de Garantia do Atleta Profissional (AGAP) estou tentando trazer uma unidade para Uberaba, que é onde passo a maior parte do tempo, para auxiliar os ex-jogadores com recursos e também com as suas aposentadorias".
Preocupação que o motivou a ingressar no curso de odontologia. Mais tarde, ele chegou a trancar a matrícula para jogar em Belo Horizonte. Retornando a Uberaba, Normandes concluiu o curso e formou-se dentista. Profissão que exerceu durante mais de vinte anos.
Além da paixão pela odontologia, o afastamento do futebol aconteceu em função da família. "O mundo do futebol é muito incerto. Fiquei viúvo há 15 anos e me dediquei a criar os meus três filhos, Eduardo que é dentista, Estevão é advogado e Adriano cursa medician. Me preocupei em encaminhá-los na vida e acho que fiz a opção certa", comentou.
Normandes, hoje com 64 anos, relembra que um dos melhores momentos da sua carreira foi o título nacional com o Atlético Mineiro e que a sua grande tristeza foi não ter sido convocado para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1970 com Seleção Brasileira.
A vingança veio logo depois. A equipe brasileira, classificada para o mundial, jogou contra o Atlético Mineiro, no Mineirão. O Galo bateu a seleção, de Pelé e Tostão, por 2 a 1.
O jogador encerrou a sua carreira em 1978, mas volta a ser lembrado com o Troféu Seleção de Todos os Tempos, oferecido pelo Grupo JM de Comunicação. "Fiquei surpreso, mas achei tão boa a iniciativa, até porque sempre falei que os atletas de Uberaba não são reconhecidos e a Rádio JM e o Jornal da Manhã estão promovendo essa valorização. Tem tantos outros bons jogadores que mereciam este troféu, mas, fico honrado, lisonjeado mesmo, por ainda ser lembrado."
