Pedro, que tem o mesmo nome do meu pai, nos abordou vendendo bombons e poesia.
Não sei sua idade, mas houve tempo para que falasse do amor pelo hip-hop e mostrasse que, mesmo diante das dificuldades, ainda é possível sonhar.
Ali, em pleno Lourdes, na capital mineira, um jovem caminhava na chuva vendendo bombons e arte. A discrepância entre a realidade do bairro e a do jovem artista chegou a me desnortear, mas Pedro continuou surpreendendo.
Quando cheguei ao hotel, abri a caixa do bombom e encontrei um papel cuidadosamente enrolado com uma fita amarela. Nele, Pedro escreveu:
“Deixa fluir. Mas saiba fluir. O que pode te ajudar também pode te destruir.”
Paguei cinco reais por dois poemas, um bombom e uma lição de vida. Paguei para ver um menino escrever sobre o seu estado, sobre a mineiridade e, em meio a tantas diferenças, persegui-lo em direção ao próprio sonho.
Música, poesia, chocolate e Pedro combinam muito bem.
