Por que perdi o brilho
e a vontade de iluminar a minha estrada?
Para onde foi a convicção
de que eu dominaria meu mundo
e encontraria flores no deserto?
Vamos conversar com sinceridade,
antes de qualquer julgamento.
Você realmente acredita
que não ser dona do meu próprio destino
não me dói?
E que me apropriar da vida alheia,
dos sentimentos alheios
e dos sonhos alheios
era realmente o que eu queria para mim?
Onde está a minha herança agora?
O que vou deixar de mim
neste mundo tão imenso?
Por que pareço ser a única insana
a acreditar que o amor cura tudo?
Ele me levou por caminhos tão perversos.
Fez-me acreditar que a vida
é construída sobre os pilares sólidos
da reciprocidade,
do respeito
e do comprometimento,
mas sempre me abandonou
nos labirintos mais escuros.
Não bastasse o medo,
ouço uma voz que insiste em repetir:
“a culpa é sua”.
E, mesmo acreditando
que viveria outras dez vidas
amando intensamente
todas as pessoas por cuja permanência lutei,
mesmo que ninguém compreendesse um só motivo,
mesmo acreditando
que eu não saberia viver de outra maneira,
a sentença é sempre muito dura.
No fim,
somos juízes dos nossos próprios crimes.
E a prisão da consciência
é a mais infeliz das liberdades.
