Para abrir a seção de bairros da Folha de Uberaba percorremos mais de 43 km e chegamos à Comunidade Rural São Basílio. Os primeiros moradores do loteamento estão no local há quase 20 anos e viram as mudanças acontecerem com o tempo. De 1991 até hoje, o conjunto de chácaras, localizado a 13 km de Ponte Alta, cresceu, ganhou status de bairro e abriga mais de 104 famílias. Apesar deste número, os moradores ainda sofrem com a falta de infraestrutura básica, como saúde, segurança e educação. Problemas que puderam ser evidenciados logo no contato inicial com a população local.

Nossa primeira parada foi no Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil). O Centro tem 19 crianças cadastradas, mas apenas 12 delas frequentam a instituição em período integral. Na quinta-feira, dia cinco de maio, a professora, responsável pelos alunos de 0 a 3 anos, faltou ao trabalho.

A coordenadora da unidade em São Basílio, Maria das Graças da Cunha Machado, tentou justificar a ausência da funcionária, mas acabou relatando as dificuldades enfrentadas para o funcionamento da instituição. "Hoje tive que dispensar crianças porque não tenho como atender todo mundo sozinha. O lanche das 9 horas está atrasado. Tem criança para tomar banho, mas a cozinheira não pode me ajudar porque precisa preparar a refeição. Vamos ver como será a tarde" desabafou.

Enquanto os alunos, com idade entre 3 e 5 anos, faziam atividades orientadas pela coordenadora, dois garotos, de 2 anos, foram deixados sob os cuidados do auxiliar de serviços gerais, Sebastião Antônio da Silva, de 55 anos. Maria das Graças explicou que precisou contar com a ajuda dos serviços gerais para não correr o risco de os dois menores se machucarem.

Além dos problemas ocasionados pela ausência de colaboradores, a coordenadora questionou a segurança do lugar. "Recentemente furtaram a antena parabólica. Ficamos preocupados, porque aqui não tem segurança, inclusive as janelas estão sem trancas".

A diretora das unidades do Cemei, São Basílio e Nicanor-Ponte Alta, Érica Luci de Carvalho Castro disse que não foi informada sobre a ausência da professora Renata Cardoso e defendeu o trabalho da Secretaria de Educação. "Quando fico sabendo destes imprevistos, providencio substitutos. Para falar a verdade, nós temos uma estrutura que atende muito bem os 12 alunos. Não temos apenas a coordenação. Contamos com o trabalho de uma professora, uma educadora, uma cozinheira e um auxiliar de serviços gerais, além do suporte pedagógico e administrativo, uma vez por semana".

Recentemente, o Cemei-São Basílio recebeu a visita do secretário municipal de educação, José Vandir, que demonstrou preocupação com a frequência dos alunos.

"Hoje, 12 alunos estavam na creche, mas outro dia o secretário encontrou apenas quatro crianças. Estamos cobrando dos pais que mantenham seus filhos no programa de educação infantil, caso contrário, não teremos como manter tantos funcionários à disposição do Cemei. Sabemos que é uma comunidade carente e que precisa desta base pedagógica", acrescentou Érica.

Quanto à segurança, a diretora afirmou que providências estão sendo tomadas para resolver o problema. "A Maria das Graças já havia relatado este fato. Temos alarme instalado no prédio e pretendemos murar a área onde fica a creche. As trancas das janelas estão sendo providenciadas", concluiu.

Além da educação infantil, aproximadamente 70 estudantes, que moram na Comunidade Rural São Basílio, estão matriculados na Escola Municipal Gastão Mesquita Filho, em Ponte Alta, onde cursam ensino básico, fundamental e médio. O transporte dos alunos é feito pela Prefeitura Municipal de Uberaba. "Nos períodos, matutino e vespertino, temos quase 60 alunos. A van faz dois trajetos em cada turno. À noite, são mais ou menos 15 alunos", explicou a diretora da escola, Adriana Marega de Souza.

Principais reclamações

"Uma das ações mais emergenciais é consertar as estradas. Quando chove a gente não consegue sair nem entrar aqui no loteamento. A minha rua por exemplo, é um lamaçal só". Maria Elza

"O ônibus coletivo passava pela Orlando Rodrigues da Cunha, agora vai direto para o centro. Eu tenho dois netos e minha família é toda do bairro Abadia, dificultou bastante pra gente, porque quando eu não tenho quem me busca lá na Leopoldino eu tenho que ir a pé com os meus netos pra casa". Vera Lúcia

"A gente precisava de mais segurança aqui e que arrumassem as estradas. Sempre tem carro estragando aqui por conta dos buracos e é a gente que fica no prejuízo" Murilo Bento

"Aqui acontecem muitos furtos. A viatura vem uma ou duas vezes por semana, mas é complicado. Precisava de, pelo menos, um posto policial". Otair Joaquim

"O único problema é que a gente pode ficar doente só dia de terça. Fora isso, o posto médico fica fechado, se uma pessoa passa mal, tem uma queda de pressão tem que chamar a ambulância de Ponte Alta ou vai consultar em Uberaba. Acho que um médico mais de uma vez por semana é necessário. Tem muito idoso e muita criança aqui" Cristina Beatriz