Eu já tive medo dos lobos.
Depois, descobri que são os cordeiros
que nos fazem chorar até soluçar.
E, entre cordeiros e lobos,
não sei calcular quem mais feriu.
Aprendi, de tanto apanhar,
que a vida bate doído.
E, ao contrário do que eu sempre quis acreditar,
ela não possui asas.
Daí aprendi que é fincada em nossas próprias raízes
que morremos, todos os dias, um pouco,
mas também ressuscitamos
em cada sonho perseguido.
Já vi, por minúsculas janelas,
um mundo inteiro de descobertas.
Mas também vi o precipício
quando me acorrentei à escuridão da minha solidão.
Entre o que parece bom e o que parece mau,
ambos se confundem
e, por vezes, nos desnorteiam.
Entre o que queremos e aquilo pelo que lutamos,
há uma enorme distância:
a mesma que a lágrima percorre
até encontrar o nosso sorriso.
