"O primeiro presente que ganhei na minha vida foi uma bola de futebol". Diante dessa afirmação, o futuro do garoto uberabense Thalisson Nogueira não podia ser diferente.
O volante ingressou com quatro anos na escolinha do Independente, com o treinador Chiclete, e nunca mais pensou em fazer outra coisa.
As decepções que viveu longe de Uberaba, inevitavelmente, frustraram suas expectativas, mas não o tirou das quatro linhas. "Fizeram uma sacanagem grande comigo, no Cruzeiro. Cheguei à Toca da Raposa e tinham trocado o técnico. Acabei sendo demitido sem ter a oportunidade de mostrar o meu trabalho. Quando voltei, já desmotivado, o Chiclete conseguiu com que eu fizesse testes no São Paulo. Lá, acabei perdendo ônibus para ir para os treinos e estava mesmo muito para baixo. Não consegui passar e retornei a Uberaba, sem ânimo para continuar".
O apoio da família foi fundamental para que Thalisson voltasse acreditar no seu potencial. Os pais, Meire de Lourdes e José Edilson, e a irmã Taís, continuaram com o incentivo. "Não queria jogar nem aqui. Mas os meus pais, me disseram que a vida é assim. Tudo é muito difícil. Se é isso o que quero, tenho que superar as dificuldades".
O jogador do Independente não pensa, ao menos por enquanto, tentar um time fora de Uberaba.
Em 2010 quer disputar, de novo, o Campeonato Mineiro de Juvenil, com o IEC e quem sabe, ajudar a equipe conseguir um resultado satisfatório. "Este ano perdemos seis pontos importantes. Depois disso não conseguimos a recuperação".
Com apenas 15 anos, Thallisson demonstra que cresceu com os obstáculos e mostra maturidade para definir o seu futuro no esporte. "Já passei por algumas situações complicadas. Infelizmente, aqui em Uberaba não tem a base que a garotada vê fora. Alguém precisa dar o ponta pé inicial. Por conta da experiência que tive com o Cruzeiro, pretendo ajudar a cidade com algum projeto que oriente os meninos que se destacam aqui, para que não sofram o que sofri lá fora".
Jogador revelação de 2009, Thalison recebeu o troféu oferecido pelo Grupo JM de Comunicação dará uma força para que o jogador apague de vez os maus momentos. "Todo menino tem o sonho de ser jogador de futebol. Vejo que tem muitos jogadores no mercado. Esse prêmio que estou recebendo mostra que tenho algum diferencial, mas é preciso muito esforço, dedicação e além do dom, se empenhar ao máximo e ter muita força de vontade. Estou encaixando de novo ao time. Sei que futebol é tudo que quero e daqui por diante, preciso esquecer tudo que vivi e fazer o máximo possível para ter o meu futebol valorizado".
